Edição #18
Como é uma semana típica na minha vida como cirurgião
Por trás dos resultados e das consultas, existe uma rotina. Uma semana real — cirurgias, consultas, o que acontece entre elas — e o que aprendi sobre ritmo e presença.
As pessoas frequentemente imaginam a vida de um cirurgião como uma sequência de procedimentos dramáticos. A realidade é mais estruturada — e mais humana — do que isso.
Vou descrever uma semana típica. Não para impressionar, mas porque acredito que transparência sobre o trabalho que faço aumenta a confiança de quem está considerando me procurar.
Segunda-feira: o começo sempre com consultas
Segunda-feira é reservada para consultas de avaliação. Geralmente de 4 a 6 ao longo do dia.
Cada consulta leva entre 45 minutos e 1 hora e meia — depende da complexidade do caso e de quanto a paciente tem para perguntar. Nunca apresso.
O que acontece nessas consultas: escuta, avaliação, planejamento conjunto. E frequentemente, a conversa mais honesta que a paciente vai ter sobre o que a cirurgia pode e não pode fazer.
Terça e quarta-feira: cirurgias
Os dias de cirurgia começam cedo. Chego ao hospital antes da paciente — verifico os exames, converso com o anestesiologista, revejo o planejamento.
A cirurgia em si varia de 2 a 6 horas dependendo do procedimento. Depois, visita à paciente na recuperação e no quarto (quando há internação).
O que acontece depois da cirurgia que a maioria não vê: o anestesiologista, a equipe de enfermagem, a coordenação do pós-operatório imediato — tudo isso é onde a estrutura hospitalar se mostra indispensável.
Quinta-feira: retornos e revisão
Quinta é reservada para retornos pós-operatórios. Ver pacientes 7 dias após a cirurgia, 30 dias, 3 meses. Avaliar como está evoluindo a cicatrização. Responder às perguntas que surgiram na semana.
É a parte do trabalho menos visível — e que eu considero uma das mais importantes.
Sexta-feira: conteúdo e estudo
Reservo tempo semanal para leitura de literatura médica, revisão de casos, e produção de conteúdo — incluindo esta Carta.
Cirurgia plástica evolui. Novas técnicas, novos estudos de longo prazo, revisões de consenso. Manter-se atualizado não é opcional.
O que aprendi sobre ritmo
Cirurgiões que operam todos os dias, sem ritmo, sem tempo para reflexão — produzem resultados piores. Não é opinião, é fisiologia: concentração, julgamento clínico e habilidade técnica dependem de descanso.
A qualidade das minhas cirurgias é protegida pela estrutura da minha semana.
Até a próxima semana.
— Dr. Lucas Carneiro
Dr. Lucas Carneiro
Cirurgião Plástico · São Paulo · Membro SBCP
Corpo Clínico Hospital Albert Einstein e Sírio-Libanês
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