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Tabagismo e cirurgia plástica: por que parar não é negociável

Dr. Lucas Carneiro·5 de maio de 2025·4 min de leitura

O tabagismo aumenta significativamente o risco de complicações em cirurgia plástica. Não é uma restrição burocrática — é fisiologia. E tem solução.

Quando digo a um paciente que ele precisa parar de fumar antes da cirurgia, a reação mais comum é: "mas só fumo pouco".

Não existe "pouco" em termos de risco cirúrgico com tabagismo. Qualquer nível de exposição à nicotina aumenta o risco — e em alguns procedimentos, de forma dramática.

Deixa eu explicar a fisiologia por trás disso.


O que a nicotina faz nos tecidos

A nicotina causa vasoconstrição. Isso significa que os vasos sanguíneos ficam mais estreitos, o fluxo sanguíneo reduz, e os tecidos recebem menos oxigênio.

Em condições normais, isso é tolerável. O corpo compensa.

Em condições cirúrgicas — quando retalhos de pele foram descolados, quando cicatrizes precisam ser irrigadas, quando a demanda por oxigênio nos tecidos é maior — essa vasoconstrição pode ser catastrófica.


O risco concreto

Em procedimentos como abdominoplastia e facelift, grandes retalhos de pele são descolados de sua base. A sobrevivência desses retalhos depende de microcirculação adequada nas extremidades.

Com tabagismo, essa microcirculação é comprometida. O resultado pode ser necrose — morte do tecido na extremidade do retalho. Isso requer curativos prolongados, pode deixar cicatrizes significativas e, em casos graves, demanda nova cirurgia para correção.

A taxa de complicações em tabagistas submetidos a abdominoplastia é documentadamente maior — alguns estudos mostram risco até 6 vezes superior ao de não fumantes.


Quanto tempo antes

A recomendação padrão é parar de fumar pelo menos 4 semanas antes e manter por 4 semanas depois da cirurgia.

Isso porque a nicotina precisa de tempo para ser eliminada do sistema, e a microcirculação precisa de tempo para se recuperar.

O cigarro eletrônico e o narguilê têm os mesmos problemas — a nicotina é a mesma.


Como ajudo meus pacientes com isso

A parada do tabagismo pode ser difícil. Não minimizo isso.

Quando um paciente me diz que fuma e quer operar, a conversa não é um ultimato — é um planejamento. "Vamos marcar a cirurgia para X semanas. Nesse período, você vai parar. Se precisar de ajuda, aqui está o caminho."

A maioria dos pacientes que para de fumar para a cirurgia aproveita para parar definitivamente. Uma das consequências positivas inesperadas do processo.


Até a próxima semana.

— Dr. Lucas Carneiro

LC

Dr. Lucas Carneiro

Cirurgião Plástico · São Paulo · Membro SBCP

Corpo Clínico Hospital Albert Einstein e Sírio-Libanês

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