Edição #16
Cinco anos depois: o que minhas pacientes me ensinaram sobre cirurgia plástica
Depois de anos de prática, o que mudou na forma como planejo e realizo cirurgias? O que aprendi com os resultados — bons e não tão bons — e com os feedbacks que recebi.
Existe uma diferença enorme entre o que aprendi na faculdade, na residência, nos livros — e o que aprendi com minhas pacientes.
Os primeiros me ensinaram técnica. As últimas me ensinaram medicina.
Deixa eu compartilhar algumas coisas que mudaram na minha prática por causa de feedbacks que recebi ao longo dos anos.
"Você não me preparou para a semana três"
Essa foi a observação mais frequente nos meus primeiros anos de prática com facelift.
Eu explicava a recuperação — a primeira semana, os hematomas, a retirada de pontos. O que não explicava com suficiente ênfase era que a terceira semana é frequentemente mais difícil que a primeira.
O edema se redistribui. Parece que algo piorou. Pacientes que não foram preparadas para isso ficavam desesperadas.
Hoje a terceira semana tem um lugar específico na minha conversa pré-operatória. E o número de chamadas de emergência desnecessárias caiu.
"Minha recuperação foi solitária"
Outra observação que me transformou.
Uma paciente, meses depois da cirurgia, me disse que a parte mais difícil não foi a dor ou o edema — foi a solidão de atravessar as semanas difíceis sem saber se o que sentia era normal.
Isso levou à criação do protocolo de acompanhamento que uso hoje — retornos programados, acesso direto à equipe por WhatsApp, checklist de sinais de alerta que a paciente recebe antes de ir para casa.
Nenhuma paciente deve atravessar a recuperação sozinha.
"Não era o que eu imaginava"
Às vezes o resultado é exatamente o que foi prometido — e não é o que a paciente queria.
Isso acontece quando a conversa pré-operatória falha em alinhar expectativas. Aprendi que a quantidade de tempo dedicada a entender o que a paciente realmente busca — não o que diz que busca, mas o que sente — é o investimento mais valioso de toda a consulta.
Hoje faço perguntas que pacientes frequentemente não esperavam de um cirurgião: "o que incomoda você nessa imagem no espelho?", "o que você espera que mude na sua vida depois?", "qual seria o resultado que te faria dizer que valeu a pena?"
As respostas mudam o planejamento.
O que não mudou
A convicção de que cirurgia plástica bem feita — no momento certo, na pessoa certa, com técnica adequada e acompanhamento completo — tem um impacto real e positivo na vida das pessoas.
Isso nunca precisou de revisão.
Até a próxima semana.
— Dr. Lucas Carneiro
Dr. Lucas Carneiro
Cirurgião Plástico · São Paulo · Membro SBCP
Corpo Clínico Hospital Albert Einstein e Sírio-Libanês
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