Na Band News: Os Limites das Cirurgias Plásticas Combinadas
Entrevista do Dr. Lucas Carneiro à Band News sobre segurança em cirurgias plásticas combinadas, a Resolução Cremesp 400/2026 e o Método PPP.

Resumo. Em setembro de 2026 fui entrevistado pela Band News para falar sobre os limites das cirurgias plásticas combinadas — um dos temas que mais aparece nas minhas consultas. Na reportagem, publicada em 8 de setembro na Band, abordei a Resolução Cremesp 400/2026, os critérios que uso para decidir entre operar tudo de uma vez ou em duas etapas, a prevenção de trombose, o Método Plástica para Pacientes e como avalio se aquele é o momento certo para a paciente operar. Reúno aqui, sem a diagramação da matéria original, o conteúdo completo do que foi discutido, para quem quer ler com calma ou não viu a reportagem no ar.
Introdução
A pergunta que mais ouço no consultório, desde que a Resolução Cremesp 400/2026 entrou em vigor, é sempre parecida: "Doutor, eu posso fazer tudo de uma vez?" Foi essa mesma dúvida que levou a Band News a me procurar para uma entrevista, publicada em 8 de setembro de 2026, sobre os limites das cirurgias plásticas combinadas.
A reportagem trouxe onze trechos da nossa conversa, organizados em blocos curtos — o formato normal de uma matéria de TV/portal. Aqui, sem cortes nem anúncios no meio, reúno o que foi dito, na ordem dos temas que tratamos: segurança cirúrgica, fracionamento de procedimentos, Mommy Makeover, prevenção de trombose, o Método PPP e os critérios que uso — clínicos, não só de agenda — para decidir quando operar e como.
Segurança não é só o relógio da sala
A resolução do Cremesp ficou conhecida como "a regra das seis horas", mas resumir a segurança cirúrgica a um número no relógio é um erro que corrijo toda vez que tenho oportunidade — inclusive na entrevista:
> "Quando falamos em segurança, não estamos tratando apenas do tempo de cirurgia. É preciso considerar a qualificação do cirurgião, a equipe, o local onde o procedimento será realizado, as medidas de prevenção de trombose e toda a assistência no pós-operatório."
O tempo cirúrgico é uma variável real — e é a que a Resolução Cremesp 400/2026 regula diretamente, limitando o agendamento inicial de cirurgias plásticas eletivas combinadas a seis horas, salvo exceção justificada em prontuário. Expliquei em detalhe o que muda na prática, e por que eu já planejava assim antes da norma, em um artigo específico sobre a resolução — vale a leitura para quem quer entender os números por trás do limite.
Por que, às vezes, divido a cirurgia em duas etapas
Existe uma pressão natural, da paciente e da própria agenda, para resolver tudo de uma vez:
> "Existe uma tendência natural de a paciente querer resolver tudo em um único momento, porque isso facilita a organização da vida, da família e da recuperação. Mas existem situações em que dividir o planejamento é mais prudente."
Na entrevista, usei o Mommy Makeover como exemplo — um dos procedimentos em que mais recebo o pedido de "fazer tudo junto":
> "A gestação é uma experiência muito importante na vida da mulher, mas pode deixar mudanças corporais que passam a incomodá-la. Não se trata de dizer que toda alteração precisa ser corrigida."
O critério que uso para dividir ou não é sempre o mesmo: a soma das etapas cabe com margem abaixo do limite regulatório? Se cabe, considero o ato único. Se não cabe — ou cabe sem folga —, prefiro fracionar. Esse raciocínio, etapa por etapa, está detalhado no artigo sobre a resolução linkado acima.
Prevenção de trombose: o que muda antes e depois da cirurgia
Um dos pontos que fiz questão de detalhar na entrevista foi a prevenção de tromboembolismo venoso — um dos riscos que mais pesam na decisão de dividir uma cirurgia longa:
> "Existem cuidados que começam ainda no ambiente cirúrgico e continuam depois da alta. Em todos os casos, utilizamos meias elásticas compressivas, compressão intermitente dos membros inferiores (Sequell) e, quando há indicação médica, profilaxia farmacológica."
Essas medidas fazem parte do protocolo em qualquer cirurgia de médio ou grande porte que realizo, sempre em hospital com retaguarda de UTI e anestesiologista titulado.
O Método PPP e a informação como parte do tratamento
Boa parte da entrevista foi sobre por que criei o Método Plástica para Pacientes (PPP) — Planejamento, Procedimento e Pós-operatório:
> "Eu percebi que muitas dificuldades surgiam da falta de informação ao longo da jornada. Quando a paciente compreende o que precisa observar antes, durante e depois, consegue participar do processo com mais consciência."
E sobre o papel da informação no manejo do medo — o trecho que mais recebi comentário depois de publicada a reportagem:
> "O medo está muito relacionado à falta de informação. Quando a paciente sabe qual será o próximo passo, ela consegue se preparar para ele. Isso não significa eliminar o receio nem afirmar que não existem riscos."
Quem quiser entender a estrutura completa do método pode ver em Método Plástica para Pacientes.
Como escolher o cirurgião — e reconhecer o momento certo
Uma pergunta que considero mais importante do que parece, e que trouxe na entrevista:
> "A pergunta mais importante é quem você escolheria para cuidar da sua saúde enquanto estivesse anestesiada. A confiança não deve nascer apenas da presença nas redes."
Também falei sobre reconhecer quando o momento não é o cirúrgico:
> "Há pacientes que chegam em momentos delicados e acreditam que uma mudança física poderá resolver questões que não estão propriamente no corpo. Precisamos entender o momento daquela pessoa, aquilo que realmente a incomoda."
E sobre avaliar a realidade da recuperação antes de operar — rede de apoio, rotina, responsabilidades:
> "É necessário conhecer a realidade daquela paciente. Quem poderá ajudá-la? Como será a rotina com os filhos? Quais responsabilidades ela assume em casa?"
Para quem está considerando um Mommy Makeover especificamente, também expliquei por que espero a amamentação terminar completamente e o corpo estabilizar antes de operar:
> "Depois que a amamentação termina completamente, é importante dar tempo para que a produção de leite cesse e para que a mama estabilize seu volume. Só então conseguimos avaliar com maior precisão quais alterações permaneceram."
Fechei a entrevista com o ponto que considero o mais honesto de toda a conversa:
> "Não podemos prometer um resultado nem garantir que tudo acontecerá exatamente como previsto. O que podemos oferecer é uma condução responsável, com planejamento, técnica, acompanhamento e transparência."
Próximo passo
Se você está planejando um procedimento — combinado ou não — e quer entender se o seu caso cabe em uma cirurgia só ou se faz mais sentido dividir em etapas, essa é justamente a conversa da consulta de avaliação: o exame, os números da sua situação e um plano por escrito, sem pressa e sem compromisso de operar.
A reportagem completa, como publicada, está na Band.
Perguntas frequentes
1. Onde foi publicada a entrevista original?
Na Band (editoria Saúde), em 8 de setembro de 2026, sob o título "Dr Lucas Carneiro alerta para os limites das cirurgias plásticas combinadas". Leia a reportagem completa na Band.
2. A Resolução Cremesp 400/2026 impede fazer mais de uma cirurgia ao mesmo tempo?
Não. Ela regula o planejamento: limita o agendamento inicial de cirurgias plásticas eletivas combinadas a seis horas, salvo exceção justificada, e orienta o fracionamento em etapas quando necessário. Os detalhes, com os números da minha prática, estão no artigo sobre a resolução.
3. O que é o Método Plástica para Pacientes (PPP)?
É a forma como organizo a jornada da paciente em três etapas — Planejamento, Procedimento e Pós-operatório — para que ela participe de cada decisão com informação, não só no dia da cirurgia. Mais detalhes em Método PPP.
4. Por que às vezes o Mommy Makeover é dividido em duas cirurgias?
Quando a soma dos procedimentos (abdome, mama, lipoaspiração) não cabe com margem de segurança dentro do limite regulatório, ou quando a paciente tem fatores que reduzem essa margem, prefiro fracionar em dois tempos. O raciocínio completo, etapa por etapa, está no artigo sobre a Resolução Cremesp 400/2026.
5. Quanto tempo depois de parar de amamentar dá para fazer Mommy Makeover?
Espero a amamentação terminar completamente e um período para a produção de leite cessar e a mama estabilizar o volume, antes de avaliar com precisão o que precisa de correção cirúrgica. O prazo exato varia de paciente para paciente e é definido na consulta.
6. Quais cuidados vocês tomam contra trombose na cirurgia?
Meias elásticas compressivas, compressão intermitente dos membros inferiores durante a cirurgia e, quando há indicação médica, profilaxia farmacológica — medidas que seguem antes, durante e depois da cirurgia, em qualquer procedimento de médio ou grande porte.
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