Dr. Lucas Carneiro — Cirurgia Plástica
Blefaroplastia

Blefaroplastia: Guia Completo para Pacientes

O que a blefaroplastia trata e o que não trata, as vias de acesso na pálpebra inferior, como é a recuperação e por que a superior isolada pode ser feita sob anestesia local.

Dr. Lucas Carneiro·Revisado em 31 de agosto de 2026·11 min de leitura·Publicado originalmente em fevereiro de 2025
Capa do artigo: Blefaroplastia: Guia Completo para Pacientes
Imagem ilustrativa. Modelo profissional — não representa paciente nem resultado cirúrgico.

Resumo. A blefaroplastia é a cirurgia das pálpebras: remove excesso de pele, reposiciona ou remove bolsas de gordura e restaura o contorno natural. Pode ser superior, inferior ou combinada nas quatro pálpebras. Dura de 1 a 2 horas, é feita sob anestesia local com sedação na maioria dos casos, em ambiente hospitalar, e geralmente sem pernoite. Os pontos saem entre o quinto e o sétimo dia, a maioria das pacientes está apresentável socialmente entre a segunda e a terceira semana e o resultado definitivo se estabelece entre 6 e 12 meses. Importante entender que a Blefaroplastia não elimina pés de galinha, não trata olheiras de pigmentação (mas pode em diversos casos amenizar essas alterações) e não substitui o facelift.



Introdução

A blefaroplastia é um dos procedimentos com maior índice de satisfação em cirurgia plástica estética — e um dos mais mal compreendidos.

Parte da confusão vem do nome. Pacientes chegam pedindo blefaroplastia para resolver olheira escura, pé de galinha ou sobrancelha caída, que são três coisas diferentes e que a cirurgia não trata.

Este guia separa o que ela resolve do que não resolve, e explica como cada decisão técnica é tomada.

A queixa principal que eu mais ouço no consultório, na primeira consulta, das minhas pacientes que vêm procurando uma solução para a região das pálpebras, região periorbital dos olhos, é: • Doutor, a pele está caindo nos meus olhos. • Não consigo mais me maquiar. • Fico com cara de cansado o dia inteiro. • No final do dia, pesa as pálpebras. Essas são as principais queixas que já praticamente fecham o diagnóstico de dermatocálase — o excesso de pele nas pálpebras superiores relacionado ao envelhecimento, cujo tratamento é a blefaroplastia. Vale a distinção: dermatocálase não é o mesmo que blefarocalásio, que é uma condição rara, inflamatória e episódica, típica de pessoas mais jovens.


A anatomia da pálpebra que envelhece

A pálpebra é uma das estruturas com a pele mais fina do corpo. A pele ali tem menos de um milímetro de espessura e quase não tem gordura subcutânea — o que explica tanto a delicadeza da cirurgia quanto a intensidade das equimoses no pós-operatório.

Por trás da pele existe o músculo orbicular, responsável pelo fechamento do olho. Mais profundamente, o septo orbitário separa o conteúdo da órbita do exterior, e atrás dele ficam os compartimentos de gordura que envolvem e amortecem o globo ocular.

Com o envelhecimento, três processos acontecem em paralelo. A pele perde elasticidade e sobra, sobretudo na pálpebra superior. O septo orbitário afrouxa, e a gordura que ele continha se projeta para frente — é isso que forma as bolsas da pálpebra inferior. E os ligamentos que sustentam a região se alongam, o que pode fazer a sobrancelha descer e agravar a impressão de peso sobre o olho.

Entender essa separação importa na prática: pele em excesso e gordura projetada são problemas diferentes, tratados de formas diferentes, e uma paciente pode ter um sem o outro.


O que a paciente precisa saber

A blefaroplastia trata pele em excesso e bolsas de gordura. Só isso, e faz isso muito bem.

Ela não elimina pés de galinha, que são linhas de expressão dinâmicas e exigem outros tratamentos. Não trata olheiras de pigmentação, aquelas manchas escuras de origem vascular ou genética — trata apenas a olheira causada por projeção de gordura, que faz sombra. E não substitui o facelift quando há flacidez significativa da região temporal ou queda importante da sobrancelha.

O impacto do que ela faz, no entanto, costuma surpreender pela amplitude. Não é só o olhar que muda: a expressão facial inteira muda. O olhar é o primeiro ponto de contato visual entre pessoas, e quando está pesado comunica cansaço mesmo em quem está descansado.


Tipos de blefaroplastia e quando cada um é indicado

Blefaroplastia superior. Trata o excesso de pele que pesa sobre a pálpebra de cima. Esse excesso pode criar sensação de peso no olhar, interferir na visão periférica superior e dar aparência de cansaço ou sonolência. A incisão é feita dentro da dobra natural da pálpebra, o que a torna praticamente invisível após a cicatrização.

Blefaroplastia inferior. Trata as bolsas de gordura das pálpebras de baixo. Tem duas vias de acesso. A transcutânea usa incisão logo abaixo dos cílios e permite também remover excesso de pele. A transconjuntival é feita pela face interna da pálpebra, sem cicatriz externa nenhuma, e é indicada quando não há excesso significativo de pele a remover.

Blefaroplastia combinada. As quatro pálpebras no mesmo ato, quando ambas têm indicação.

A indicação típica reúne excesso de pele nas pálpebras superiores, a partir dos 35 a 40 anos e às vezes antes, bolsas de gordura nas inferiores, ou ptose palpebral de origem cutânea.

A diferença entre a blefaroplastia inferior transcutânea e a transconjuntival é a via de acesso. A transcutânea: eu faço uma incisão em pequeno corte, justa ciliar, logo abaixo dos cílios, onde já existe uma pequena ruguinha. Então, essa cicatriz fica muito discreta e, a partir dessa incisão, faço o descolamento da pele. Depois, entro com o descolamento abaixo da musculatura para o tratamento das bolsas de gordura e a ressecção do excesso de pele das pálpebras inferiores. Já a blefaroplastia transconjuntival: o acesso é feito por dentro da conjuntiva, ou seja, na mucosa que cobre o olho. Logo fica uma cicatriz escondida que não aparece. A indicação desses casos é aquela em que não há excesso de pele, ou seja, não vamos retirar o excesso de pele, então não precisamos descolar a pele da parte externa. A grande maioria das pacientes que me procuram para realização de blefaroplastia têm excesso de pele na pálpebra superior e inferior. Logo, a proporção de cirurgias com acesso transconjuntival é bem menor, cerca de 20% de todos os casos.


Como a avaliação individual muda a conduta

O exame da região periorbital avalia mais coisas do que a queixa costuma sugerir.

A posição da sobrancelha, porque uma sobrancelha caída pode ser a causa real do peso no olhar — e nesse caso a blefaroplastia isolada não resolve, podendo até agravar a impressão.

A quantidade real de pele excedente, medida com a sobrancelha manualmente reposicionada, para separar o que é excesso de pele do que é queda de sobrancelha.

A projeção das bolsas e a posição do globo ocular, que determinam quanto de gordura pode ser removido sem criar aspecto cavado.

O tônus da pálpebra inferior, porque pálpebra frouxa tem risco de retração após a cirurgia e pode exigir procedimento adicional de sustentação.

E a presença de olho seco, que a cirurgia pode agravar temporariamente e que precisa ser conhecida antes.

Durante o exame físico, é muito importante fazer algumas manobras para verificação do tônus, da competência do tarso da pálpebra inferior. O tarso é uma banda de cartilagem que estrutura a pálpebra inferior. Porém, em alguns casos, quando tracionamos a pálpebra inferior para baixo, o retorno desse tarso até tocar o globo ocular é mais lentificado. Isso demonstra insuficiência do tarso. Nesses casos, para evitar um scleral show — a exposição da esclera abaixo da íris — ou um ectrópio, que seria a exposição da mucosa da conjuntiva, pode ser indicada a realização de uma cantopexia, onde eu faço uma fixação do ligamento do cantal lateral, que é o ligamento que segura esse tarso e que mantém esse tarso tracionado com a sua posição correta. Também pode ser indicada uma tarsal strip, ou tarsoplastia, em que faço o encurtamento dessa cartilagem e a fixação dela ao periósteo orbital.


Como é a cirurgia

Anestesia local com sedação na maioria dos casos, ou geral quando combinada com outros procedimentos. Duração de 1 a 2 horas. Ambiente hospitalar, mesmo sendo procedimento de menor porte. Geralmente ambulatorial, sem necessidade de pernoite na maioria dos casos.

A escolha pelo ambiente hospitalar em um procedimento relativamente simples costuma ser questionada, e a resposta é a mesma de sempre: a estrutura não existe para o caso comum, existe para o incomum.


Recuperação

Dias 1 e 2. Compressas frias nas primeiras horas, edema e equimoses ao redor dos olhos, colírio prescrito, repouso com cabeceira elevada. Cada vez menos temos equimoses, que são os arroxeamentos em volta dos olhos, pois sempre faço uma aplicação cuidadosa de solução anestésica com adrenalina para vasoconstrição. Isso ajuda a ter menos sangramento local durante o procedimento cirúrgico e também a ter menos equimoses, ou seja, os arroxeamentos no pós-operatório.

Dias 3 a 7. O edema começa a reduzir e as equimoses (se houver) ficam amareladas. Retirada de pontos entre o quinto e o sétimo dia — os fios são muito finos e a retirada é praticamente indolor.

Semanas 2 e 3. A maioria está apresentável socialmente. Maquiagem sobre a cicatriz a partir de cerca de 10 dias, com autorização. Óculos escuros ajudam bastante nesse período.

Meses 1 a 3. Cicatrizes em maturação, podendo ficar avermelhadas.

Meses 6 a 12. Cicatrizes maduras, finas e praticamente imperceptíveis na dobra natural da pálpebra. Resultado definitivo.


Segurança cirúrgica

A segurança cirúrgica durante uma blefaroplastia é fundamental. Pense o seguinte: durante uma blefaroplastia, o cirurgião plástico opera exatamente na área dos olhos. O que separa o bisturi dos olhos é a fina camada de pele das pálpebras. Esse é mais um dos motivos que pacientes devem procurar sempre um cirurgião plástico especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica para qualquer procedimento em cirurgia plástica. Parece redundância, mas é segurança, cuidado e inteligência. Nos casos em que a queixa da paciente é somente a sobra de pele das pálpebras superiores, realizo o procedimento de blefaroplastia superior sob anestesia local pura na sala de procedimento cirúrgico da clínica. É um procedimento rápido, tranquilo e que dura aproximadamente uma hora e meia. A paciente é liberada após o término do procedimento, devendo repousar nos primeiros três a cinco dias em sua residência e realizar compressas frias na região operada. Quando está indicada a blefaroplastia inferior, esse procedimento deve ser realizado exclusivamente em ambiente hospitalar, pois o descolamento e a abordagem das estruturas das pálpebras inferiores é mais delicada. Ao passo que existem muitos vasos sanguíneos e nervos, a anestesia deve ser a anestesia geral para o maior conforto da paciente.

Sempre me perguntam se o plano de saúde cobre a blefaroplastia superior. Cada vez mais vemos objeções grandes dos planos de saúde para a cobertura de procedimentos cirúrgicos nas pálpebras. O único caso que geralmente é aprovado são casos de ptose palpebral, onde fazemos uma reparação das estruturas funcionais da pálpebra superior.


Combinação com outros procedimentos

A blefaroplastia combina com o facelift, quando o rejuvenescimento facial completo é a indicação e tratar apenas uma das regiões criaria dissonância.

Combina com a ritidoplastia frontal, quando a sobrancelha caída é parte do problema.

E combina com preenchimento periorbital, como tratamento complementar de olheiras e sulcos que a cirurgia não resolve.


São Paulo e Método Plástica para Pacientes

As cirurgias são realizadas em São Paulo, no Hospital Israelita Albert Einstein — 16º no ranking Newsweek World's Best Hospitals 2026 e principal hospital da América Latina pelo sétimo ano consecutivo —, do Sírio-Libanês, do Oswaldo Cruz e do São Luiz.

O acompanhamento segue as cinco fases do Método PPP, com retornos programados. Na blefaroplastia isso importa especialmente na primeira semana, quando o pico das equimoses assusta quem não foi preparada.


Próximo passo

Se o peso no olhar incomoda você, o passo seguinte é a avaliação. É nela que se separa o que é excesso de pele, o que é bolsa de gordura e o que é sobrancelha caída — três causas com três tratamentos diferentes.


Perguntas frequentes

1. Qual a diferença entre blefaroplastia superior e inferior?

A superior trata o excesso de pele que pesa sobre a pálpebra de cima — aquele que cria sensação de peso no olhar, pode interferir na visão periférica superior e dá aparência de cansaço. A incisão é feita dentro da dobra natural da pálpebra, ficando praticamente invisível após a cicatrização. A inferior trata as bolsas de gordura das pálpebras de baixo, aquelas protuberâncias que causam o aspecto de olheira de gordura. As duas podem ser feitas no mesmo ato, na chamada blefaroplastia combinada.

2. A blefaroplastia inferior deixa cicatriz visível?

Depende da abordagem. A transcutânea usa incisão logo abaixo dos cílios e permite também remover excesso de pele. A transconjuntival é feita pela parte interna da pálpebra, sem cicatriz externa nenhuma, e é indicada quando não há excesso significativo de pele. A escolha depende do que precisa ser corrigido.

3. A blefaroplastia tira as olheiras?

Só um tipo delas. Ela trata as olheiras causadas por projeção de gordura — aquelas protuberâncias que fazem sombra. Não trata olheiras de pigmentação, as manchas escuras de origem vascular ou genética, que exigem outros tratamentos.

4. A blefaroplastia elimina os pés de galinha?

Não. As linhas de expressão ao redor dos olhos exigem outros tratamentos, como toxina botulínica, preenchimento ou laser. A blefaroplastia trata pele em excesso e bolsas de gordura, não rugas dinâmicas.

5. Quanto tempo dura a cirurgia e preciso ficar internada?

De 1 a 2 horas. A anestesia é local com sedação na maioria dos casos, ou geral quando combinada com outros procedimentos. É realizada em ambiente hospitalar mesmo sendo um procedimento relativamente simples, mas geralmente não há pernoite: é ambulatorial.

6. Quando volto à vida social?

A maioria das pacientes está apresentável entre a segunda e a terceira semana. Os pontos saem entre o quinto e o sétimo dia. Maquiagem sobre a cicatriz é liberada a partir de cerca de 10 dias, após autorização médica. Óculos escuros são recomendados ao sol nesse período. O resultado definitivo, com cicatrizes maduras, se estabelece entre 6 e 12 meses.

7. O plano de saúde cobre blefaroplastia?

Dificilmente os planos de saúde aprovam a cirurgia de blefaroplastia. A blefaroplastia superior em pacientes acima de 60 anos de idade, quando há comprometimento documentado do campo visual, confirmado por avaliação oftalmológica com campimetria pode em raros casos ser autorizada. Nesse caso o procedimento é classificado como reparador e não estético. A documentação necessária é orientada pela equipe.

8. Com quais procedimentos a blefaroplastia combina?

Na maioria dos casos de Deep Plane Facelift ou blefaroplastia, é indicada a associação de blefaroplastia, para rejuvenescimento facial completo tratando face e olhos juntos. Com a ritidoplastia frontal, quando há sobrancelhas caídas. E com preenchimento periorbital, como tratamento complementar de olheiras e sulcos.

9. A partir de que idade a blefaroplastia é indicada?

O excesso de pele nas pálpebras superiores costuma justificar a cirurgia a partir dos 35 a 40 anos, às vezes antes. Os outros critérios de indicação são bolsas de gordura nas pálpebras inferiores e ptose palpebral de origem cutânea. A idade isolada não define a indicação — o exame físico define.


Glossário técnico

Blefaroplastia — cirurgia das pálpebras, para remoção de excesso de pele e tratamento de bolsas de gordura.

Abordagem transcutânea — incisão feita pela pele, logo abaixo dos cílios, na pálpebra inferior. Permite remover excesso de pele.

Abordagem transconjuntival — incisão feita pela face interna da pálpebra inferior, sem cicatriz externa.

Ptose palpebral — queda da pálpebra. Pode ter origem cutânea, por excesso de pele, ou muscular.

Campimetria — exame oftalmológico que mede o campo visual. É o que documenta o comprometimento visual para fins de cobertura por plano de saúde.

Ritidoplastia frontal — cirurgia de elevação da testa e das sobrancelhas.

Região periorbital — a área ao redor dos olhos.

Equimose — a mancha arroxeada popularmente chamada de roxo, causada por sangue nos tecidos.

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