Edição #6
Deep Plane vs. facelift convencional: a diferença que ninguém explica direito
Existe muita confusão sobre técnicas de facelift. Vou explicar a diferença real — sem jargão, sem marketing, com o que importa para o resultado.
"Deep Plane" virou uma expressão da moda em cirurgia plástica. Apareça numa busca, num perfil de Instagram, numa conversa de consultório — e você vai ouvir o termo. Às vezes usado corretamente. Às vezes, não.
Quero usar essa carta para explicar a diferença real entre as técnicas — de forma que você entenda o que importa, sem precisar de formação médica.
Por que a técnica importa
Antes de explicar o que é o Deep Plane, é útil entender por que a técnica de um facelift importa tanto para o resultado.
A face envelhece em camadas. A pele envelhece, é verdade. Mas abaixo da pele existe o SMAS — a fáscia muscular superficial, que conecta a musculatura à pele. E abaixo do SMAS existem os ligamentos retentores — estruturas que literalmente "prendem" os tecidos faciais em posição.
Com o envelhecimento, esses ligamentos se alongam. Os tecidos caem. E a flacidez que você vê no espelho é, em grande parte, a consequência dessa queda — não apenas da pele, mas de toda a estrutura abaixo dela.
O que os facelifts convencionais fazem
Os facelifts mais simples trabalham com tracionamento cutâneo: a pele é esticada e reposicionada. O resultado melhora a aparência, mas tem limitações:
A pele, tracionada sem que as estruturas profundas tenham sido reposicionadas, tende a relaxar mais rapidamente. E como a força é aplicada diretamente na pele, o resultado pode ter aquele aspecto "puxado" — que denuncia a cirurgia.
Os facelifts que trabalham o SMAS — a camada abaixo da pele — já oferecem um resultado mais duradouro. Mas o SMAS convencional não libera os ligamentos retentores.
O que o Deep Plane faz diferente
O Deep Plane penetra abaixo do SMAS e libera os ligamentos retentores — especialmente os ligamentos zigomasmasseterinos e mandibulares, que são os principais responsáveis pela descida dos tecidos faciais.
Ao liberar esses ligamentos, é possível reposicionar os tecidos de forma tridimensional — não apenas tracionar, mas devolver estruturas ao seu lugar original.
O resultado é:
Mais natural. Porque os tecidos voltam para onde estavam, não para onde gostaríamos de empurrá-los.
Mais duradouro. Porque a tensão não fica na pele — fica na estrutura profunda, que aguenta melhor ao longo do tempo.
Mais completo. Porque trata regiões que técnicas mais superficiais não conseguem abordar adequadamente — como o sulco nasogeniano profundo e a linha da mandíbula.
O High SMAS
O High SMAS é uma variação técnica que acessa a região malar e médio-facial por um plano ligeiramente diferente. É complementar ao Deep Plane em casos onde há queda significativa da região de maçã do rosto.
A escolha entre as técnicas é individualizada — não existe uma técnica universalmente superior para todos os casos.
A pergunta prática
Se você está avaliando um facelift, pergunte ao cirurgião não apenas "você faz Deep Plane" — mas "por que você escolheria essa técnica para o meu caso específico?"
A resposta vai te dizer se o cirurgião está aplicando uma técnica porque é moda ou porque é a escolha certa para a sua anatomia.
Até a próxima semana.
— Dr. Lucas Carneiro
Dr. Lucas Carneiro
Cirurgião Plástico · São Paulo · Membro SBCP
Corpo Clínico Hospital Albert Einstein e Sírio-Libanês
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