Cicatriz do Facelift: Onde Fica, Como Fica e Como Cuidar
Onde ficam as incisões do facelift e por que ali, as três fases da cicatrização, o que determina a qualidade final e o que fazer quando a cicatriz não evolui bem. Escrito e revisado pelo Dr. Lucas Carneiro.

Resumo. As cicatrizes do facelift ficam em áreas de camuflagem natural: dentro do couro cabeludo na têmpora ou imediatamente à frente da linha do cabelo, no sulco pré-auricular à frente da orelha, eventualmente no bordo do trago, no sulco retroauricular atrás da orelha e no couro cabeludo posterior. Elas ficam avermelhadas nas primeiras semanas, endurecem e podem parecer piorar entre o primeiro e o terceiro mês — fase normal de proliferação de colágeno —, começam a clarear entre o terceiro e o sexto mês e amadurecem completamente entre 6 e 18 meses, quando se confundem com as dobras naturais da pele. Quatro fatores principais determinam a qualidade final: técnica de fechamento sem tensão, ausência de tabagismo, fotoproteção por pelo menos 12 meses e uso de silicone tópico.
Introdução
O medo da cicatriz é um dos mais comuns antes do facelift, e é compreensível: ninguém quer trocar flacidez por uma marca visível.
A resposta honesta é que a cicatriz existe — toda incisão deixa cicatriz. O que determina se ela será perceptível é onde ela é colocada e como ela é conduzida.
Este artigo cobre as duas partes: onde as incisões ficam e por quê, e o que determina como elas terminam.
A biologia da cicatriz: as três fases
Toda cicatriz passa por fases previsíveis, e conhecê-las evita interpretar o processo normal como problema.
Fase inflamatória, das primeiras 24 horas até cerca de 7 dias. A cicatriz fica avermelhada e discretamente elevada. É a resposta imediata do organismo.
Fase proliferativa, entre a primeira semana e o terceiro mês. É a fase em que o colágeno é produzido em excesso. A cicatriz pode ficar mais rígida, mais avermelhada e mais elevada do que estava. Parece piorar — e é o que mais assusta.
Fase de remodelação, do terceiro mês até 18 meses. O excesso de colágeno é reabsorvido e reorganizado. A cicatriz clareia, afina e amolece progressivamente.
Entender isso muda a experiência: o pico de aparência ruim da cicatriz acontece justamente quando o resultado do facelift já está bom.
O que a paciente precisa saber
Cicatriz não desaparece — ela se torna imperceptível. É uma distinção importante. O objetivo técnico não é ausência de cicatriz, e sim uma cicatriz que se confunde com as dobras naturais da pele.
O tempo é longo. Julgar uma cicatriz aos três meses é julgar um processo pela metade.
E parte do resultado depende da paciente. Fotoproteção, ausência de tabagismo e uso correto de silicone tópico mudam o desfecho de forma significativa. O que não depende de ninguém é a predisposição individual a cicatrizes hipertróficas ou queloides, que tem componente genético e é avaliada antes da cirurgia.
Onde ficam as incisões — e por que ali
Cada posição é escolhida por um motivo anatômico específico.
Na região da têmpora, dentro do couro cabeludo, onde o cabelo cobre por completo — ou imediatamente anterior ao cabelo, dependendo da linha capilar de cada paciente.
Na frente da orelha, no sulco pré-auricular — a dobra natural entre a orelha e a bochecha. Essa área já produz uma sombra própria, que oculta a cicatriz.
Eventualmente no bordo do trago, a pequena cartilagem à frente do conduto auditivo. Ali existe uma transição natural de textura e de cor da pele, que ajuda a camuflar.
Atrás da orelha, no sulco retroauricular, onde a cicatriz fica completamente escondida na posição normal da cabeça.
No couro cabeludo posterior, novamente coberta pelo crescimento do cabelo.
Existe ainda uma decisão que tomo caso a caso e que quase nenhum site explica: se a incisão será pré-tragal ou retrotragal.
Pré-tragal é quando a incisão fica antes dessa pequena cartilagem no meio da orelha, na parte anterior. A escolha pela incisão pré-tragal geralmente é feita em homens, pois a cicatriz vertical mais alinhada antes dessa cartilagem fica mais natural para o público masculino.
Para mulheres, na grande maioria, dependendo do formato dessa cartilagem e do formato da orelha, escolho o posicionamento da cicatriz retrotragal, pois confere uma silhueta mais anatômica e mais específica do rosto feminino.
Sempre avalio isso na primeira consulta e também no dia da cirurgia, no Hospital Albert Einstein. Uma hora antes do procedimento, quando faço todas as marcações pré-operatórias no rosto da paciente, determino onde será a incisão e como será o reposicionamento da pele após a retirada do excesso.
Como a avaliação individual muda a conduta
O planejamento das incisões considera fatores que variam bastante entre pacientes.
A linha de implantação capilar, que define até onde a incisão temporal pode subir sem deslocar a linha do cabelo. A espessura e a oleosidade da pele, que influenciam a qualidade da cicatriz. O histórico de cicatrização prévia, que é o melhor preditor disponível. O fototipo, porque peles mais escuras têm maior tendência a hiperpigmentação. E o hábito de uso de cabelo curto ou preso, que muda o quanto a região retroauricular fica exposta no dia a dia.
Quando avalio uma paciente na primeira consulta, sempre pergunto sobre cicatrizes anteriores e machucados: como foi a evolução dessas cicatrizes, se houve alguma alteração estética visível, se teve alguma infecção local.
Pergunto também sobre tempo de sangramento. Esse é um dado muito importante que devemos coletar das pacientes: saber se, quando se machucam, o sangramento para imediatamente ou se demora muito para parar.
Avalio ainda cicatrizes de outras cirurgias, como uma cesariana. Essa avaliação de cicatrizes prévias é muito importante para termos alguns dados sobre a cicatrização da paciente. Ela não garante, mesmo que a paciente tenha cicatrizes de bom aspecto, que não haverá alterações ou problemas cicatriciais. Mas é um indicador que aumenta a chance de boa cicatriz.
O que determina a qualidade da cicatriz
Técnica de fechamento. A tensão sobre a cicatriz precisa ser mínima. Quando o fechamento é feito puxando a pele, a cicatriz alarga com o tempo. É justamente aqui que o Deep Plane tem vantagem: como a tração fica na estrutura profunda, a pele fecha sem tensão.
Tabagismo. É a variável isolada mais determinante. A nicotina compromete a vascularização dos retalhos e aumenta de forma significativa o risco de sofrimento de pele e de cicatriz ruim. A suspensão precisa acontecer pelo menos quatro semanas antes e ser mantida quatro semanas depois.
Fotoproteção. Cicatriz imatura exposta ao sol hiperpigmenta, e a mancha resultante é mais difícil de tratar do que a própria cicatriz. Fotoproteção rigorosa por pelo menos 12 meses.
Silicone tópico. Em gel ou fita, iniciado com a cicatriz já fechada e seca. Acelera a maturação e reduz o risco de hipertrofia.
Predisposição individual. Pacientes com histórico de queloide ou de cicatriz hipertrófica têm risco maior, e isso é avaliado na consulta antes de qualquer planejamento.
O que fazer se a cicatriz não evoluir bem
Em casos incomuns, a cicatriz pode exigir tratamento adicional. Existe conduta para cada cenário.
Cicatriz hipertrófica responde a corticoide intralesional, a silicone e, em casos selecionados, a laser. Cicatriz alargada pode ser tratada com revisão cirúrgica, sempre depois da maturação. Hiperpigmentação responde a despigmentantes e a fotoproteção rigorosa.
A regra que não muda: revisão só se discute depois de 12 a 18 meses da cirurgia inicial — antes disso, a cicatriz ainda está se remodelando e a revisão precoce costuma piorar o resultado.
Na minha prática clínico-cirúrgica, a regra principal é indicar o silicone tópico na cicatriz após 21 a 30 dias, com a cicatriz totalmente seca — ou seja, não pode haver nenhuma lesão pequena residual. Indico o uso por dois meses, passando uma vez ao dia uma camada extremamente fina desse silicone gel tópico.
No caso de pequenas retrações, é possível fazer o laser de baixa intensidade para diminuir o processo inflamatório local e ajudar a evitar cicatrizes hipertróficas ou queloides.
No caso do aparecimento de cicatrizes hipertróficas, a primeira conduta é orientar a paciente a utilizar pomada de corticoide local com massagem vigorosa durante 14 a 21 dias. Depois desse período avalio se houve regressão ou estabilização daquela cicatriz. Quando não existe melhora, pode ser indicada a aplicação de corticoide intralesional.
Lembrando a todas as pacientes e colegas médicos que essa aplicação deve ser muito cuidadosa e realizada por cirurgião plástico experiente — pois, dependendo do plano, da quantidade e da concentração aplicada, pode haver um excesso de remodelação e a cicatriz ficar hipotrófica e deprimida.
Segurança cirúrgica e planejamento
A qualidade da cicatriz começa antes da cirurgia. Faz parte do preparo a suspensão do tabagismo, a avaliação de cicatrizes prévias, o alinhamento de expectativa sobre o que é uma cicatriz bem cuidada e a escolha do ambiente hospitalar — porque complicações precoces, quando manejadas prontamente, não deixam repercussão sobre a cicatriz. Quando não são, deixam.
Método Plástica para Pacientes
O acompanhamento estruturado cobre exatamente a janela em que a cicatriz se define. É nos retornos que a evolução é avaliada, que o silicone é liberado no momento certo e que qualquer desvio é tratado enquanto ainda é simples de tratar.
Próximo passo
Se a cicatriz é a sua principal preocupação — e é uma preocupação legítima —, leve essa pergunta para a consulta. Ver cicatrizes de pacientes reais, em fases diferentes de maturação, responde melhor do que qualquer texto.
Perguntas frequentes
1. Onde ficam as cicatrizes do facelift?
Quando a cirurgia é bem planejada e executada, as cicatrizes ficam praticamente imperceptíveis após a maturação completa. Isso acontece porque as incisões são posicionadas em áreas de camuflagem natural: dentro do couro cabeludo na região da têmpora ou imediatamente anterior à linha capilar, no sulco pré-auricular — a dobra entre a orelha e a bochecha, que já tem sombra própria —, eventualmente no bordo do trago, aproveitando a transição natural de textura e cor da pele, no sulco retroauricular atrás da orelha e no couro cabeludo posterior.
2. Quanto tempo até a cicatriz ficar boa?
A maturação completa leva de 6 a 18 meses. Nas primeiras 4 semanas a cicatriz está fechada e levemente avermelhada. Entre o primeiro e o terceiro mês ocorre a fase de proliferação de colágeno, em que ela pode ficar mais rígida, mais avermelhada e elevada — parece piorar antes de melhorar, e isso é esperado. Entre o terceiro e o sexto mês o avermelhamento diminui e a textura suaviza. Depois disso a cicatriz fica fina, clara e se confunde com as dobras naturais da pele.
3. Por que a cicatriz parece piorar no segundo mês?
Porque é a fase proliferativa da cicatrização, em que o colágeno é produzido em excesso antes de ser reorganizado. É um processo normal e previsível, não um sinal de que algo deu errado. O excesso de colágeno começa a ser reabsorvido a partir do terceiro mês, e é aí que a cicatriz clareia e afina.
4. Qual a diferença entre incisão pré-tragal e retrotragal?
Pré-tragal é a incisão feita à frente do trago, a pequena cartilagem no centro da orelha. Retrotragal é a que passa por trás dele. Em homens, costumo optar pela pré-tragal, porque a cicatriz vertical alinhada à frente da cartilagem fica mais natural. Em mulheres, na grande maioria dos casos e dependendo do formato da cartilagem e da orelha, opto pela retrotragal, que confere uma silhueta mais anatômica ao rosto feminino. A definição é feita na primeira consulta e reconfirmada na marcação pré-operatória, no dia da cirurgia.
5. O que mais determina a qualidade final da cicatriz?
Quatro fatores principais: técnica de fechamento sem tensão, ausência de tabagismo, fotoproteção rigorosa por pelo menos 12 meses e uso de silicone tópico no momento certo. Existe ainda a predisposição individual a cicatrizes hipertróficas ou queloides, que tem componente genético e é avaliada antes da cirurgia.
6. Quando posso começar a usar silicone na cicatriz?
Entre 21 e 30 dias, com a cicatriz totalmente fechada e seca — sem nenhuma lesão residual, por menor que seja. Indico o uso por dois meses, aplicando uma vez ao dia uma camada extremamente fina do gel de silicone.
7. Posso usar maquiagem sobre a cicatriz?
Só depois da liberação, que costuma acontecer quando a cicatriz está completamente fechada. Antes disso, o risco de irritação e de contaminação não compensa. Fotoproteção, essa sim, é obrigatória desde cedo.
8. E se a cicatriz ficar hipertrófica?
A primeira conduta é pomada de corticoide local com massagem vigorosa por 14 a 21 dias. Depois desse período, avalio se houve regressão ou estabilização. Quando não há melhora, pode ser indicada a aplicação de corticoide intralesional — que deve ser feita com muito critério e por cirurgião plástico experiente, porque plano, quantidade e concentração errados podem produzir excesso de remodelação e deixar a cicatriz deprimida.
9. É possível refazer uma cicatriz que ficou ruim?
Sim, mas só depois de 12 a 18 meses da cirurgia inicial. Antes disso a cicatriz ainda está em remodelação, e a revisão precoce costuma piorar o resultado. Em casos selecionados, a revisão cirúrgica resolve cicatriz alargada; hipertrofia e hiperpigmentação costumam responder a tratamento clínico antes de se cogitar cirurgia.
Glossário técnico
Sulco pré-auricular — a dobra natural entre a orelha e a bochecha. Área de sombra que camufla a cicatriz.
Trago — a pequena cartilagem à frente do conduto auditivo. A incisão pode passar à frente dele, pré-tragal, ou por trás, retrotragal.
Sulco retroauricular — a dobra atrás da orelha, onde a cicatriz fica escondida na posição normal da cabeça.
Fase proliferativa — período entre a primeira semana e o terceiro mês, em que o colágeno é produzido em excesso e a cicatriz parece piorar antes de melhorar.
Fase de remodelação — do terceiro mês até 18 meses, quando o excesso de colágeno é reabsorvido e a cicatriz clareia, afina e amolece.
Cicatriz hipertrófica — cicatriz elevada e endurecida que respeita os limites da incisão original.
Queloide — crescimento de cicatriz que ultrapassa os limites da incisão original. Tem forte componente genético.
Corticoide intralesional — injeção de corticoide dentro da cicatriz para reduzir o excesso de colágeno. Exige critério: dose ou plano incorretos podem deixar a cicatriz deprimida.
Hiperpigmentação — escurecimento da cicatriz causado por exposição solar no período em que ela ainda está imatura.
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